Queridos amigos leitores, fãs do esporte, devido a correria não pude postar antes sobre a Copa das Confederações ou melhor dizendo, Copa das Manifestações, que aconteceu em nosso país no mês passado. Mas quero escrever um pouco agora sobre minha opinião a respeito do que rolou fora e dentro de campo durante as duas semanas da competição.
Vamos começar então: A Copa das Confederações funciona como um evento teste pra Copa do Mundo que acontece um ano depois. Muitos dizem que a competição não vale muita coisa, mas esse ano, pro Brasil em particular, o torneio seria muito importante, afinal, somos o país sede do Mundial e nossa seleção precisava disputar um torneio oficial pra poder dar uma cara de time à equipe de Felipão tão contestada até então.
Todos, inclusive eu, estávamos preocupados em saber se o Brasil passaria no teste final pra Copa, se os estádios, aeroportos, estradas e hotéis estariam adequados pra receber os turistas, enfim, questões de logística mesmo. Mas, de repente, o foco mudou: passamos a olhar pras ruas, ao invés de olhar pras novas arenas. Surpreendentemente, a população brasileira resolveu protestar contra situações absurdas que nosso país enfrenta a cada dia: como caos no transporte, na saúde e educação, e corrupção na política. O que fez a bomba explodir foi o excesso da polícia paulista ao tentar coibir manifestantes que pediam redução do preço da passagem de ônibus e metrô de R$ 3,20, para R$ 3,00. Em pouco tempo vimos que não era apenas por 20 centavos: A violência desnecessária e covarde demostrada em São Paulo serviu de combustível pra que um sentimento de indignação se espalhasse por todo o Brasil, e um dos alvos dos insatisfeitos era a Dª FIFA e a tão aguardada Copa do Mundo.
De repente ninguém se preocupava mais se estaríamos prontos pra sediar um Mundial de futebol. A preocupação agora era em relação ao nosso futuro como nação. Confesso que nem nos meus melhores sonhos esperava que a população brasileira se mobilizasse de maneira tão contundente pra reivindicar questões tão importantes. Era o Gigante Despertando...
Como amante do futebol, amo também amo a Copa do Mundo, e assistir uma partida do Mundial, ao vivo, sem dúvida é um sonho pra mim, mas nem por isso, concordo que o Brasil deveria sediar o Mundial de 2014. E se me perguntassem há 06 anos atrás se esse era o momento certo para o Brasil abrigar o evento, minha resposta seria NÃO, com certeza. Temos problemas demais pra resolver antes de estarmos prontos pra investir tanto dinheiro na infraestrutura de uma Copa do Mundo e Olimpíada.
Bom, não me perguntaram, e quem eu sou pra ter voz ativa numa decisão tão importante. O certo é que agora que estamos há menos de 01 ano do evento não adianta mais chorar pelo leite derramado, o dinheiro já foi gasto e não tem como reverter isso. Pra mim é inútil tentar impedir que a Copa seja realizada a essa altura do Campeonato, só faria aumentar o prejuízo nos nossos bolsos. Me pergunto: Por que não saímos pras ruas quando decidiram gastar uma fortuna construindo estádios fadados a se tornarem Elefantes Brancos em Brasília, Manaus e Cuiabá, cidades que não tem grandes clubes locais? Agora, infelizmente, não dá mais tempo pra impedir esse desperdício. Concordo que temos que protestar contra os gastos excessivos e cobrar pra que haja punição pra quem lucrou ilegalmente com a realização da Copa no Brasil e também contra a Dª FIFA e seus desmandos. Mas boicotar o evento, repito, sou terminantemente CONTRA.
Quero falar agora sobre o que rolou dentro de campo na Copa das Manifestações: Nossa seleção foi um show! Conseguimos enfim ter um time competitivo e nem mesmo a tão temida Espanha, Campeã do Mundo, foi páreo pra TÓISS! Todos os méritos devem ser dados ao Felipão que realmente tem o dom de fazer um grupo desacreditado se tornar uma equipe com espírito vencedor, difícil de bater. Além do fator treinador e da qualidade de nomes como Neymar e Fred, pra mim o que fez a diferença pra nossa seleção foi justamente o que rolou fora de campo, nas ruas. Um sentimento de patriotismo tomou conta dos jogadores e de todos envolvidos com a seleção, isso ficou evidente pela raça que a equipe demonstrou no campo em todas partidas.
O escrete canarinho, infelizmente, já foi usado como instrumento de manipulação por parte de políticos mal intencionados, o exemplo mais claro foi na Copa de 70, nos escuros anos da Ditadura Militar. Mas isso não quer dizer que tenhamos que parar de torcer pelo futebol de nosso país, precisamos saber separar o joio do trigo. O mais bacana foi ver que os torcedores brasileiros souberam fazer essa separação nas partidas da Copa das Confederações. A torcida abraçou a equipe, e quando cantava nosso hino à capela era impossível não se emocionar - A mensagem era essa - Amamos o Brasil, e Amamos nossa seleção!
Que bom ver que a torcida brasileira soube ter esse discernimento, afinal, o nosso talento nato para o futebol, deve continuar sendo motivo de orgulho, o que não pode é ser o único motivo.


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