terça-feira, 16 de outubro de 2012

Como tá chato...

Sempre ouvimos falar que juiz bom é aquele que não aparece. Se a máxima é verdadeira, então podemos considerar que os árbitros brasileiros são péssimos, afinal, eles são os que mais têm aparecido nesse Brasileirão, seja por erros cometidos durante as partidas ou por punições impostas extra-campo. O fato é que atualmente nos preocupamos mais com o que o juiz vai relatar na súmula do que com o que os jogadores tem pra apresentar nos jogos.

Há muito tempo que comentaristas e torcedores vem alertado sobre como o futebol brasileiro está ficando chato e nesse Campeonato isso está muito evidente. Juninho Pernambucano desabafou recentemente sobre a supervalorização dos árbitros, que segundo ele se consideram o elemento mais importante do futebol. Quem acompanha torneios disputados em outros países percebe rapidamente a diferença na forma como os juízes atuam. No Brasil parece que o pessoal esqueceu que o futebol é um esporte de contato: Não tem lógica marcarem esse número exagerado de faltas, isso só atrapalha o espetáculo do futebol e incentiva os jogadores a ficarem nessa cai-cai danado que irrita todo mundo.


Como se não bastasse os juízes quererem aparecer mais que a bola, o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva também entrou nessa onda. Nunca vi tantos julgamentos e tantas punições como nesse ano. Sem falar nas inúmeras restrições aos torcedores, que além de não poder tomar uma cervejinha em muitos estádios precisam cadastrar até o radinho de pilha agora. Essa burocracia toda é por causa da Copa do Mundo? Daqui a pouco vão estar proibindo o pessoal de xingar palavrão pra não parecer pros turistas que somos pouco civilizados...

O STJD está assumindo o papel de protagonista desse Brasileirão no lugar dos atletas: Na semana passada, por exemplo, suspenderam Ronaldinho, um dos principais jogadores da competição, da partida contra Inter, por um lance que nem o próprio juiz da partida tinha punido o jogador.

Saudade dos tempos que manobras e dribles dados dentro de campo eram destaque na imprensa e nas conversas dos torcedores...


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bola Fora


Agradar a todos é impossível, mas a FIFA conseguiu algo ainda mais complicado: desagradar todo mundo. Ninguém ficou satisfeito com as 03 opções de nomes que escolheram para o mascote da Copa de 2014.



Quando anunciaram que o Tatu-Bola foi eleito pra representar o Brasil no Mundial aprovei de imediato a ideia, afinal, se trata de um animal com risco de extinção, e tem tudo a ver com o futebol como o próprio nome já diz, além do mais é um animal muito bonitinho também. Mas depois veio a decepção com os nomes: Amijubi, Fuleco e Zuleco. O primeiro é resultado da união das palavras "amizade" e "júbilo". Já os outros dois tem significado ecológico, presente no sufixo eco.


Tudo bem que os significados são interessantes, mas cá pra nós era necessário pensar na sonoridade também. Os nomes não são agradáveis para se pronunciar, muito menos para se ouvir. Sem contar que "Fuleco" e Zuzeco lembram palavras de cunho pejorativo.

E por que também não optaram por fazer uma votação diferente? Seria muito mais democrático que a população pudesse escolher os 03 nomes que iriam pra final, dentre vários sugeridos pelo próprio povo e depois sim decidir qual seria o definitivo.

A escolha desses nomes foi uma grande bola fora da FIFA, assim como também foi o da bola do Mundial; quando ao invés de optarem por termos populares no Brasil como menina, gorducha, redonda, pelota, só pra citar alguns exemplos que mostrariam um pouco da cultura do futebol no país, preferiam escolher, mais uma vez, a opção de desagradar a maioria...


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Atirador de Elite

Um time campeão pede um cobrador de falta. Corinthians tem Alex, papou a Libertadores e o Brasileiro. Palmeiras tem Marcus Assunção, ganhou a Copa do Brasil.

O cobrador de falta é o segundo capitão. O xerife do ataque. A possibilidade de salvar o jogo quando nada funciona. É um gerador de luz nos apagões do talento. Quando a bola não quer entrar, ele surge com força ou jeitinho para impor a vantagem. Assegura tranquilidade no nervosismo das prorrogações.

É o suspiro de esperança quando não resta sopro, é o que mantém o torcedor na arquibancada durante os acréscimos. O cobrador corresponde a um atirador de elite, aquele que fica no telhado com a mira do rifle esperando a mínima movimentação do goleiro para surpreender as redes. Os melhores plantéis sempre forjaram um cobrador em suas fornalhas. Não necessitava ser um craque, desde que não comprometesse a partida.


O Atlético Mineiro dos anos 80 contou com o canhotaço de Éder. Cruzeiro dos anos 70 se valeu da potência de Dirceu Lopes e Nelinho (sua força estrondosa está exemplificada no Guiness Book, conseguir chutar uma bola para fora do estádio do Mineirão). Flamengo brilhou com Zico, Tita e Júnior. Vasco reluziu com Roberto Dinamite. O Inter esbanjou títulos com Valdomiro e Jair em sua década vitoriosa no Brasileirão. São Paulo chegou ao tri da América e Mundial com Rogério Ceni e Raí. O timão nunca desprezou a essência desse personagem predestinado: Zenon, Neto, Marcelino Carioca.




Não há título mundial brasileiro que não requisitou de um matador de falta em suas trincheiras. Em 58 e 62, Didi e Garrincha desfilaram sabedoria e malandragem. Em 94, Branco fez a diferença. Em 2002, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos revezaram os tiros de misericórdia. A seleção brasileira de 70 alcançou a proeza de juntar cinco grandes finalizadores a distância, um verdadeiro pelotão de fuzilamento formado por Gérson, Rivelino, Pelé, Tostão e Jairzinho.


Preparar um cobrador é cuidar da validade do extintor de incêndio e viabilizar saídas de emergência imediatas. É pensar no futuro.Falta perto da área é quase inevitável, mesmo diante da zaga mais educada (já o pênalti é um milagre, e os juízes estão cada vez mais céticos diante das encenações constantes dos atacantes).

Equipe que se preza reivindica um batedor. Um personagem unânime no grupo, o que treina um pouco mais com o fim do coletivo. Acontece uma falta, e não existe confusão, protesto e briga para definir quem assumirá o lance. Está definido pelo treinador desde o início dos tempos. Ele aparece de longe e com a calma de um veterano. Transpira a exclusividade e o carisma de um líder - os demais se afastam por respeito.

Todos sabem quem ele é, devem saber ao menos, para temer. O batedor vem com seu sangue-frio pegar a bola, ajeita a redonda na grama e dispara seu petardo ou com efeito ou com violência.



O cobrador não é um acessório, mas é a alma da competitividade...


A bola parada é competência num jogo feito de sorte e azar...


Carpinejar

domingo, 26 de agosto de 2012

Sonho Distante

Um dos assuntos mais comentados durante a semana do maior clássico do futebol mineiro foi a questão da torcida única. Depois de um longo período jogando fora de BH, em 2012, Cruzeiro e Atlético voltaram a jogar na capital, mas aquele espetáculo bonito protagonizado pelas 02 torcidas rivais dentro do estádio não poderá será visto este ano. A Polícia alega falta de condições de fazer a segurança no Estádio Independência e em seus arredores.

A decisão divide opiniões, muitos alegam que só em Minas existe esta restrição. Em São Paulo, por exemplo, quando o Santos joga na Vila, que não é um campo grande, sempre permite que os rivais Corinthians, Palmeiras, e São Paulo ocupem os 10% reservados para a torcida visitante. E todos sabem que a “fama” das torcidas organizadas desses clubes não é nada boa.

Seria então má vontade por parte das autoridades mineiras? Concordemos ou não, o fato é que infelizmente os clássicos pelo país vêm sendo marcados pela violência já há muito tempo. Acredito que há como tomar medidas para controlar a criminalidade, mas é impossível negar que existe um certo receio por parte de todos.


Em dia de clássico temos medo até de sair de casa com a camisa de nosso time estando indo ou não para o estádio. E a preocupação é procedente, afinal, as pessoas levam o futebol “a sério demais”. Seria tão bom poder sair às ruas pra comemorar a vitória de seu time sobre o rival sem ter aquela sensação de que a qualquer momento podemos ser vítimas de algum ato violento.

Provocar o adversário faz parte do futebol, e, aliás, é um dos principais prazeres que o esporte proporciona a seus adeptos. Um dia você provoca, no outro vai ser provocado. Mas, infelizmente, muitos não conseguem entender algo tão simples e por causa de alguns todos saem perdedores.

Uma amiga minha que esteve no Chile, no ano passado, me contou que um dia passeando pelas ruas de SanTiago se deparou com 02 grupos de torcedores rivais que tinham acabado de deixar o estádio onde assistiram uma partida entre seus respectivos clubes. Perguntei se ela teve medo, pra minha surpresa ela disse que não, porque eles apenas se provocavam com palavras (e durante muito tempo) sem esboçarem qualquer tipo de agressão física, como deveria acontecer em qualquer parte do mundo dito civilizado. Fiquei pensado como ela se sentiria ao presenciar a mesma cena por aqui...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Não dá pra entender



Estamos às vésperas do maior evento do esporte mundial, que será disputado esse ano na capital britânica. Minha expectativa era que o desempenho brasileiro em Londres seria melhor do que o de Pequim, mas ao ver a notícia que a delegação verde - amarela vai enviar 19 atletas a menos do quem em 2008, vi que minhas previsões não correspondiam à realidade.

Não dá pra entender essa diminuição no número de representantes brasileiros, afinal a próxima Olimpíada não vai ser realizada aqui no Rio? Onde está a preparação que tanto falaram que seria feita pra que o Brasil faça bonito em 2016? Pelo visto é mais uma conversa pra boi dormir.

No começo do ano o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) já previa uma estagnação para Londres, mas ao que tudo indica houve foi algo ainda pior: um retrocesso. Desse jeito fica difícil acreditar que um dia o esporte vai ser levado realmente a sério no Brasil como acontece em outros países, pois se nem ao menos o fato de sediar as Olimpíadas está fazendo com que os investimentos aconteçam e produzam resultados satisfatórios, o que esperar então para depois de 2016?

quinta-feira, 5 de julho de 2012

¡Sí, se puede!






O dia tão esperado para a torcida do Corinthians chegou. Nessa quarta o grito de Campeão da Libertadores finalmente pôde sair da garganta de uma das torcidas mais fanáticas do Brasil, para tristeza dos rivais que perderem o argumento mais usual e tradicional das provocações.

Ontem os paulistas representavam o Brasil contra o time argentino mais temido das Américas, mas nem por isso podemos dizer que a torcida da maioria dos brasileiros era para o Timão, afinal, muitos clubes tem uma grande aversão ao time do Parque São Jorge devido a questões extra-campo.


Torcendo ou não, pelo triunfo alvinegro nessa final, é impossível não reconhecer os méritos da equipe comandada por Tite no duelo contra os argentinos: Se impressionaram com a Bombonera mas não se intimidaram, Romarinho representou bem isso; e no segundo jogo conseguiram superar o nervosismo, a pressão de jogar em casa buscando o título inédito, e claro, a catimba argentina.

O título foi merecido, e dessa vez, ninguém pode falar que houve favorecimento para o Corinthians. Foram Campeões enfrentando os medos e o tabu.


Fica o exemplo para as demais equipes brazucas!

terça-feira, 3 de julho de 2012

O que esperar de la Roja?



A Final da Euro 2012 surpreendeu a todos. Não só pelo placar elástico que a Espanha conseguiu frente à Itália, mas principalmente pela maneira como os espanhóis jogaram. Aquele jogo de paciência tan aburrido como ver crecer el pasto, deu lugar a um jogo envolvente tendo a busca do gol e não o toque de bola, como principal objetivo. Prova disso é que no 1º tempo, contrariando as estatísticas da maioria dos jogos da Fúria, o adversário teve maior posse de bola: 53%.


O que esperar de La Roja daqui pra frente? Vão jogar como no domingo, ou o estilo vitorioso, mas pouco atrativo para os espectadores, vai predominar em 2014? Seja qual for o estilo que Del Bosque opte uma coisa é certa: eles serão osso duro de roer nos campos brasileiros...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Uma despedida pouco comum





Nesta semana o meia Roger anunciou seu desligamento do Cruzeiro. Durante os quase dois anos em que vestiu a camisa celeste o jogador nunca passou despercebido: mesmo ficando ausente durante muitos jogos, fazendo jus ao apelido de “chinelinho” o meia sempre chamava atenção dando declarações polêmicas, alfinetando os adversários, fazendo a alegria da torcida.

O jogador não pôde demonstrar todo seu potencial técnico na Raposa devido à condição física desfavorável, mas foi protagonista em alguns momentos importantes tendo desequilibrado em clássicos contra o Atlético. Verdade que ele também decepcionou em jogos decisivos como na surpreendente eliminação para o Once Caldas na Libertadores do ano passado, mas acredito que vão ficar marcados mesmo os bons momentos, e também essa sua emocionada despedida. É raro hoje em dia você ver um jogador que realmente veste a camisa e que se entristece de verdade ao se desligar de um clube.

Durante a entrevista coletiva, quando anunciou sua saída, Roger demonstrou que tem interesse em voltar ao Cruzeiro futuramente, exercendo outra função. Acredito que a China Azul aprovaria de bom grado esse retorno...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Gol é gol e vitória é vitória ora bolas



Sei que muita gente aprova, mas sinceramente eu não gosto nada desse regulamento da Libertadores e da Copa do Brasil, onde o gol fora de casa vale por 02. Vejam a situação em que o Fluminense se encontrou ontem, por exemplo, mesmo estando vencendo a maior parte do jogo por 1 a 0, em momento nenhum o time pôde ter uma tranquilidade sequer relativa isso porque a qualquer momento o Boca poderia fazer um gol, somente UM e tudo poderia estar perdido. Vindo dos frios argentinos, ainda mais do Copeiro-Mor Boca Juniors isso era muito fácil de acontecer, y fue exactamente lo que pasó.

Por ter feito a melhor campanha na primeira fase da competição a equipe carioca tinha a "vantagem" de fazer o segundo e decisivo jogo em casa, mas a vitória pelo placar mínimo do adversário, em Buenos Aires, acabou dando uma vantagem muito grande para os hermanos, mais do que deveriam ter no meu ponto de vista. Sigam meu raciocínio: O Flu precisava fazer 2 a 0 pra se classificar não é isso? Mas se agente pensar bem o Tricolor já entrou precisando fazer 3 a 0 porque com 1 a 0 seria decidido nos penâltis, e com 2 a 0 no placar o time poderia levar um gol a qualquer momento o que daria a classificação para o Boca. Desse jeito a vantagem que teoricamente deveria ser do time que fez a melhor campanha e decide em casa acaba se revertendo.

Sabemos que o regulamento foi feito pensando em incentivar o time visitante pra sair pro ataque, mas não concordo com esse argumento, afinal, vencer sempre é bom, sendo dentro ou fora de casa, então se o time tem condições de atacar não vai ficar na retranca só porque está jogando no estádio do adversário. No caso da Copa do Brasil até acho que o regulamento seja válido naqueles primeiros jogos onde os principais clubes enfrentam times de pequena expressão que dificilmente vão poder oferecer alguma resistência, mas na fase do Mata-Mata não concordo. E na Libertadores concordo menos ainda já que na final o regulamento muda e o gol fora de casa não vale mais por dois. Se eles acham certo esse critério durante toda a competição por que pra final não serve?

Vai entender a lógica de quem escreve esses Regulamentos...

sábado, 21 de abril de 2012

Festa em Minas


Os milhares de cruzeirenses espalhados pelo Brasil e pelo mundo têm hoje um motivo a mais para se orgulhar. Não, a equipe de futebol da Raposa, não conseguiu mais uma proeza nos gramados, a conquista dessa vez veio em outro campo, ou melhor dizendo em outra quadra. O Sada Cruzeiro equipe de vôlei, que já há algum tempo estava fazendo bonito na Super Liga, principal campeonato da modalidade no país, foi coroada com o título esse ano, sobre o comando do técnico argentino Sérgio Mendez. Um fator que diferencia a equipe mineira das demais é a questão dos torcedores. A torcida do futebol imigrou para o vôlei, e foi um dos pontos fortes na conquista desse título tão difícil. Essa idéia dos clubes de futebol investirem em outras modalidades é bem interessante porque é uma maneira de atrair público e conseqüentemente patrocínio para outros esportes, que sofrem muitas vezes pela falta de recursos. O Cruzeiro já investe no atletismo, estão falando na possibilidade de se montar uma equipe feminina de vôlei, o que seria ótimo. Em Minas temos o exemplo do Atlético também que montou um grande time de futsal nos anos 90, e por que não retomar? Que essa grande conquista do Sada Cruzeiro sirva de combustível para que demais clubes de futebol no Brasil invistam no vôlei e demais modalidades, o esporte nacional só tem a ganhar!