O mundo vive um clima de tensão e incerteza, após os atentados terroristas ocorridos na França na última semana. O ataque covarde contra a Liberdade de Expressão de um país que é símbolo da democracia mundial, fez aumentar ainda mais um sentimento de separação entre “um mundo árabe” e “um mundo ocidental". Talvez um dos objetivos maiores dos radicais religiosos seja esse mesmo, aumentar cada vez mais essa polarização, que é tão prejudicial à humanidade como um todo. Em meio a tantas demonstrações de intolerância, uma notícia boa ecoou nessa segunda feira, vindo das páginas esportivas, em um sinal, de que por mais que pareça, impossível, ainda há esperança de termos um planeta mais humano. A notícia veio da Austrália, onde pela primeira vez na história a Palestina disputa um torneio de primeiro escalão no futebol.
Reconhecida pela FIFA desde 1998, embora tenha disputado seu primeiro jogo oficial em 1953, a seleção da Palestina se classificou para a Copa da Ásia, principal torneio da região, depois de ter ganhado a Copa Desafio, que reúne apenas equipes de segundo escalão do continente. A seleção palestina foi goleada por 4 a 0 pelo Japão na Copa da Ásia, em sua estréia. Mas o resultado dentro de campo pouco importava, pois a conquista maior era estar ali, participando de um momento histórico para um povo que luta pra ser reconhecido e respeitado no cenário internacional.

Por falar em cenário internacional acredito que as autoridades mundiais deveriam estar mais atentas à força que o esporte, em especial o mais querido do mundo, o futebol, pode ter na luta contra a polarização entre muçulmanos e não muçulmanos. São evidentes as diferenças culturais, o que às vezes produz um choque mesmo pra quem está de longe como nós brasileiros, mas é evidente também que o futebol é uma das poucas diversões que ambos “mundos” apreciam e amam de maneira similar. Por que então não usar essa importante ferramenta na luta contra os pensamentos extremistas? Afinal quem melhor que o esporte pra promover a união e acabar com certezas absolutas?
Exemplos na história não faltam, basta lembrar-se de Hitler nas Olimpíadas de 1936, vendo o negro norte americano,
Jesse Owens levar a medalha de ouro no atletismo em plena Berlin, jogando por terra sua teoria de inferioridade racial, sem falar da própria seleção francesa campeã do Mundo em 98, sendo formada por um time de descendentes de imigrantes, entre eles o maior jogador francês de todos os tempos,
Zinedine Zidane, muçulmano de origem argelina. E também não podemos nos esquecer do exemplo sul - africano, talvez o maior de todos, quando Mandela conseguiu unir a nação dividida por anos de segregação racial através do Mundial de Rúgbi disputado no país em 1995.
Torço pra que depois destes tristes episódios ocorridos em Paris, ao invés de caminharmos em direção a uma radicalização e separação cada vez maior, sigamos a direção contrária. E, sem dúvida, o esporte é atualmente uma das armas mais poderosas da nossa civilização...