Um dos assuntos mais comentados durante a semana do maior clássico do futebol mineiro foi a questão da torcida única. Depois de um longo período jogando fora de BH, em 2012, Cruzeiro e Atlético voltaram a jogar na capital, mas aquele espetáculo bonito protagonizado pelas 02 torcidas rivais dentro do estádio não poderá será visto este ano. A Polícia alega falta de condições de fazer a segurança no Estádio Independência e em seus arredores.
A decisão divide opiniões, muitos alegam que só em Minas existe esta restrição. Em São Paulo, por exemplo, quando o Santos joga na Vila, que não é um campo grande, sempre permite que os rivais Corinthians, Palmeiras, e São Paulo ocupem os 10% reservados para a torcida visitante. E todos sabem que a “fama” das torcidas organizadas desses clubes não é nada boa.
Seria então má vontade por parte das autoridades mineiras? Concordemos ou não, o fato é que infelizmente os clássicos pelo país vêm sendo marcados pela violência já há muito tempo. Acredito que há como tomar medidas para controlar a criminalidade, mas é impossível negar que existe um certo receio por parte de todos.
Em dia de clássico temos medo até de sair de casa com a camisa de nosso time estando indo ou não para o estádio. E a preocupação é procedente, afinal, as pessoas levam o futebol “a sério demais”. Seria tão bom poder sair às ruas pra comemorar a vitória de seu time sobre o rival sem ter aquela sensação de que a qualquer momento podemos ser vítimas de algum ato violento.
Provocar o adversário faz parte do futebol, e, aliás, é um dos principais prazeres que o esporte proporciona a seus adeptos. Um dia você provoca, no outro vai ser provocado. Mas, infelizmente, muitos não conseguem entender algo tão simples e por causa de alguns todos saem perdedores.
Uma amiga minha que esteve no Chile, no ano passado, me contou que um dia passeando pelas ruas de SanTiago se deparou com 02 grupos de torcedores rivais que tinham acabado de deixar o estádio onde assistiram uma partida entre seus respectivos clubes. Perguntei se ela teve medo, pra minha surpresa ela disse que não, porque eles apenas se provocavam com palavras (e durante muito tempo) sem esboçarem qualquer tipo de agressão física, como deveria acontecer em qualquer parte do mundo dito civilizado. Fiquei pensado como ela se sentiria ao presenciar a mesma cena por aqui...

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